SEJURI – Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social

Projeto Ecomoda alia ressocialização e sustentabilidade no Presídio Feminino de Florianópolis

O sistema prisional de Florianópolis tem sido cenário de iniciativas que vão além da custódia e avançam no campo da transformação social. Um exemplo é o Projeto Ecomoda, criado em 2012, e que desde então vem se consolidando como uma ação que integra ressocialização, sustentabilidade e solidariedade por meio da qualificação profissional de mulheres privadas de liberdade.

Desenvolvido em parceria com a Universidade do Estado de Santa Catarina, por meio do Centro de Artes (Ceart), o programa oferece formação em moda sustentável, com foco no reaproveitamento de tecidos e na aplicação de técnicas artesanais e de costura. A proposta transforma materiais que seriam descartados em novas peças, agregando valor social e ambiental ao processo produtivo.

Atualmente, 24 reeducandas participam do curso, onde aprendem técnicas como bordado, tapeçaria, crochê, tricô e costura. A formação contempla desde noções de modelagem até acabamento e personalização, estimulando a criatividade e promovendo a consciência ambiental, alinhada às demandas contemporâneas do setor têxtil.

A professora voluntária da Udesc/Ceart, Thamara Antunes, destaca que o projeto vai além da capacitação técnica. “A gente ensina técnicas de bordado, tapeçaria, crochê, tricô e costura, mas também trabalha a reconstrução da autoestima dessas mulheres. A cada ponto, elas entendem que algo que poderia ser descartado pode ganhar um novo significado, assim como suas próprias histórias”, afirma.

Foto: Jaqueline Noceti/SEJURI

Um dos diferenciais do Ecomoda está no reaproveitamento de materiais. Tecidos que seriam descartados, especialmente peças em jeans e resíduos da indústria têxtil catarinense, são transformados em novos produtos, como bolsas, pantufas e chapéus. A diversidade de criações evidencia o potencial produtivo e criativo das participantes, além de reforçar o compromisso com a sustentabilidade.

Para Thamara, esse processo também tem um forte impacto simbólico. “Quando elas percebem que algo considerado sem valor pode ser transformado, isso fortalece a autoestima. Existe uma analogia direta com a vida delas: é possível recomeçar, ressignificar e construir um novo caminho”, ressalta.

A diretora do Presídio Feminino Regional de Florianópolis, Marina Pamplona Coelho, reforça a importância dos projetos de capacitação dentro da unidade. “A implementação dos projetos aqui no Presídio Feminino é muito positiva, porque todas as policiais estão envolvidas cobrando o comportamento das reeducandas, a disciplina, para que elas tenham o direito de fazer o curso profissionalizante e sair daqui formadas. Para isso, elas precisam manter um bom comportamento dentro da unidade prisional”, destaca.

Foto: Jaqueline Noceti/SEJURI

Mais do que ensinar um ofício, o Ecomoda atua diretamente no fortalecimento de valores como disciplina, responsabilidade e trabalho coletivo, pilares fundamentais para a reintegração social. A iniciativa também se destaca pelo viés solidário, com a doação de parte das peças produzidas para entidades beneficentes da comunidade, ampliando o alcance social do projeto.

Com mais de uma década de atuação, o Projeto Ecomoda demonstra como a educação e a capacitação profissional dentro do sistema prisional podem gerar impactos concretos e duradouros. Ao unir formação técnica, consciência ambiental e reconstrução de trajetórias, o programa contribui para que essas mulheres se preparem para o retorno à sociedade com mais autonomia, dignidade e perspectiva de futuro.

 

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